Jornalista cristã condenada por denunciar pandemia na China é presa novamente
- 27/03/2025

A jornalista cristã Zhang Zhan, que passou quatros anos na prisão por noticiar o início da pandemia em Wuhan, na China, foi detida novamente pelo governo comunista e enfrentará mais um julgamento.
Segundo a Anistia Internacional, Zhang foi libertada no dia 13 de maio de 2024, porém continuou sendo vigiada e assediada pelas autoridades. Suas publicações na web também eram monitoradas.
Ela chegou a ser levada diversas vezes pela polícia para ser interrogada durante o mês de agosto do ano passado, com alguns dos interrogatórios durante mais de 10 horas.
No final de agosto, a jornalista viajou para a província de Gansu, para mostrar solidariedade com outros defensores dos direitos humanos. Mais tarde, Zhang visitou sua cidade natal em Shaanxi e logo depois ficou incomunicável.
Apenas após três meses de sua libertação, a cristã foi novamente presa pela polícia de Xangai, que viajou quase 900 milhas para pegá-la.
De acordo com o Repórteres sem Fronteiras (RSF), Zhang permanece detida no Centro de Detenção do Novo Distrito de Pudong, em Xangai, depois de ser acusada de "provocar brigas e problemas" conforme o Artigo 293 do Código Penal da China.
Agora, o governo comunista está buscando condenar a jornalista a uma pena de quatro a cinco anos de prisão.
Campanha de perseguição
“Zhang Zhan celebrou o seu aniversário de 41 anos — o primeiro desde que foi libertada. No entanto, em vez de celebrar este reencontro com a sua família, passou o seu quinto aniversário consecutivo privada de liberdade”, afirmou Sarah Brooks, diretora da Anistia Internacional para a China.
“Apesar de ter sido presa injustamente, ela continuou a erguer a sua voz em solidariedade com outros ativistas de direitos humanos desde que foi libertada. Zhang voltou a ser detida porque se recusou a ser silenciada”, criticou Sarah.
Para a diretora, a nova prisão é o ápice da perseguição do governo chinês contra a cristã. “A nova detenção de Zhang Zhan é o culminar da campanha de perseguição e assédio que o governo chinês tem levado a cabo contra ela, mesmo depois de Zhang Zhan ter sido libertada da prisão”, comentou.
“Apelamos às autoridades chinesas que libertem imediatamente Zhang Zhan e garantam que lhe seja concedida total liberdade e proteção contra qualquer forma de vigilância ou assédio”, declarou Sarah.
Greve de fome na prisão
Quando Zhang foi condenada a 4 anos de prisão pelo Tribunal Popular do Distrito de Pudong, em dezembro de 2020, ela iniciou uma greve de fome, em um gesto de protesto.
A mulher chegou a pesar 35 quilos e precisou ser internada no hospital da Prisão Feminina de Xangai por doenças digestivas devido à desnutrição.
Zhang chegou a ser alimentada à força por oficiais, ao fazer greve de fome na prisão. Ela também foi acorrentada e teve as mãos amarradas durante 24 horas por mais de três meses.
Detida por criticar o governo comunista
Em 2020, Zhan foi acusada de “espalhar mentiras e inventar informações falsas” e de “provocar distúrbios da ordem pública”, uma expressão frequentemente usada para silenciar cidadãos chineses que se opõem ao Partido Comunista da China.
Em sua reportagem durante a pandemia em 2020, Zhan criticou o governo de silenciar denunciantes sobre o coronavírus e alertando que o bloqueio de Wuhan havia sido decretado de maneira muito dura.